Marcia Tiburi, em Feminismo em Comum (2018), destacou que não podemos reduzir o feminismo à discussão de gênero e sexualidade sem uma ligação direta com a questão de classe/raça, deficiências, aparências e idade, que afetam várias minorias. Para a autora, do mesmo modo, todas as lutas que envolvem os marcadores de opressão, quando não estão atentas ao problema de gênero que reproduz um sistema conservador, não conseguem avançar na transformação social.


O termo “gênero” vem causando surtos nos fundamentalistas e autoritários. “Gênero” é um termo usado para analisar os papeis “masculinos” e “femininos” que se tornam hegemônicos. 


A aparência de homem e mulher está profundamente ligada a regras de comportamento. 


Somos controlados socialmente e domesticamente. Isso quer dizer, que somos construídos no tempo e nossa sexualidade é altamente plástica, por isso mesmo pode ser modificada em muitos sentidos.


A questão da identidade tem relação com a construção heteroconstruído do patriarcado; no feminismo a identidade é um elemento da construção de si que passa necessariamente pelo autorreconhecimento de cada um acerca de si mesmo. 


As mulheres trans, neste sentido, têm todo direito de se dizerem mulheres, do mesmo modo que qualquer pessoa que se identifique com o signo mulher. O feminismo nos ajuda a melhorar o modo como vemos o outro. 


O direito de ser quem se é, de expressar livremente a forma de estar e de aparecer e autocompreender é ao que o feminismo nos leva. 


As feministas podem ressignificar o termo mulher, a ressignificação do termo mulher só poderá acontecer dentro do movimento feministas, inserindo-se dentro de uma filosofia capaz de transformar o mundo. 


O movimento feminista nos ensina a lutar por um outro mundo possível, com a autonomia dos nossos corpos e com ele a dignidade das mulheres, como nossa vereadora Marielle brutamente assassinada.


O patriarcado é uma forma de poder, com ideias prontas, certezas naturalizadas, dogmas e leis que não podem ser questionadas, de muita violência física e simbólica, de muito sofrimento e culpa administrados por pessoas que têm o interesse na manutenção dos privilégios de gênero, sexuais, de raça, de classe.


Reduzir o feminismo à discussão de gênero e sexualidade sem uma ligação direta com a questão de classe/raça, deficiências, aparências e idade, que afetam várias minorias. Todas as lutas que envolvem os marcadores de opressão.


O feminismo nos ajuda a melhorar o modo como vemos o outro. O direito de ser quem se é, de expressar livremente a forma de estar e de aparecer e autocompreender é ao que o feminismo nos leva. 


O feminismo se inventa e reinventa a cada nova face do seu movimento, as feministas de diversas correntes produzem teorias e práticas que sempre são, por definição, inadequadas ao patriarcado. 


É a produção de um novo sentido, uma nova existência e estrutura mais complexa que questiona o “status quo” patriarcal, caracterizado pela interseccionalidade de gênero-raça-classe-sexualidade.


Entendemos que o feminismo é a própria democracia, uma democracia profunda, que começa colocando a questão dos direitos das mulheres e avança, interrogando a urgência dos direitos de todos que sofrem a opressão do capital, das formas sutis às mais brutas. 


A chave manuseada para destravar o lugar marcado dos corpos é a participação política, através dos vários movimentos sociais, entre eles, o feminismo. 


O corpo dominado e transformado em objeto: o trabalhador no capitalismo, a mulher no patriarcado, o negro na raça, as formas de sexualidades no regime do contrato social e de gênero heteronormativo. 


A consciência destes lugares de opressão tem levado a uma contramarcação politicamente produtiva, que constroi um lugar de categoria política para as mulheres, negros/negras, LGBT, deficientes físicos, moradores de rua, sem terra, indígenas e outros segmentos vitimados pela opressão, que buscam a emancipação através dos marcos normativos e dos seus corpos autênticos circulando livremente em todas as esfera do poder. 

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