Mina na girA

SOBRE VIOLÊNCIA, VIDA E MORTE

“Jurema é um pau encantado, é um pau de ciência”

Como será morrer?

Vivemos cheias de coisas pra fazer, pra pensar, pra querer. Coisas simples e incomuns misturam-se no cotidiano de cada uma/um.

Coisas simples do tipo: ainda não comi aquele bolo de coco com limão, esqueci de falar com uma amiga, fiquei sem tempo de costurar o botão do vestido que se soltou, preciso pintar as unhas e dar um xerô na amiga manicure que cumpriu anos, visitar a casa nova do amigo, dizer ao boy/girl que vai rolar uma festinha no final de semana, ir treinar pesado, comer e dormir.
Coisas triviais que entretém.

Penso na morte de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, 38 anos, mulher linda, negra, potência, saindo de uma conversa com as pretas, foi assassinada e perdeu a vida, no bairro do Estácio, centro da cidade do Rio de Janeiro.


Penso na morte do motorista Anderson Gomes que conduzia o carro, que levava Marielle e também morreu.
Antes de morrer, eles poderiam estar sorrindo, contando uma história do dia a dia.

Talvez estivessem com fome ou com pressa para chegar a outro lugar.
Talvez o rádio do carro tocasse uma música.
Talvez falassem das violências contra as pessoas na cidade do Rio. Contassem piada sobre o antidemocrático Temer. Talvez estivessem em silêncio.

Qual é a música da vida?
Qual é a música da morte?

Talvez Marielle tivesse recebido novas denúncias sobre os desmandos e violências da intervenção militar na cidade do Rio de Janeiro. Este era o tipo de coisa incomum que Marielle lidava na sua vida e que incomodava muita gente.

Cada um de nós também lida com coisas incomuns. Coisas próprias.

Como será a morte?

Sabemos que depois da morte o corpo fica indiferente, frio.
O corpo vira pó.

Para quem acredita, o espírito continua a vida.
.
Um amigo me falou, nunca esqueço de produzir um texto. Lembre-se Pat, o texto que você tem mais interesse, você pode deixar descansar e depois deve saborear as palavras.

Talvez seja um alento, a dica do amigo.

Vamos saborear a vida e a morte, que são continuidades. Por hora chorar, se emocionar, passar sem tantas problematizações pelas perdas e pela vida.

Continuar com nosso passo a passo nesta existência fora da ordem.

Marielle PRESENTE!

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