Tem tempo para ser feminista?

Ainda posso ser feminista?

Desde quando eu sou feminista?

Em qual tempo eu sou feminista?

Só no meu tempo existe feminismo?

Será que ainda precisamos do feminismo?

Até quando vamos precisar do feminismo?

Nós somos feministas?

Nós queremos ser feministas?

o que é ser mulher?

Este é o podcast FEMINISTA DO SEU TEMPO e eu sou PATRICIA CARVALHO

Com crônicas feministas: analisar o cotidiano significa escolher uma lente adequada para lê-lo.

Para pensar o sistema de justiça.

Para ser uma nova feminista. Já que a história dos feminismos, se entrelaça com a história das civilizações, das instituições e do tempo.

Por falar nisto, atualmente temos várias publicações sobre o feminismo. Pensando o feminismo, falando sobre feminismo, livros, perfis em redes sociais, em várias mídias para a gente interagir com o feminismo. Nós estamos na época em que as mulheres conseguiram, com muita luta e várias mortes, ter maior escolaridade, autonomia financeira, política, social. Estamos vivendo a época do feminismo.

E o feminismo é um movimento. O feminismo são vários feminismos.

Mas será que ainda precisamos do feminismo?

Sempre, sempre, sempre volta esta pergunta.  

Até quando vamos precisar do feminismo?

Nós queremos ser feministas?

E, outra pergunta, tão difícil quanto as demais surge com a mesma frequência:

O que é ser mulher?

O que é ser mulher no trabalho?

O que é ser mulher na linguagem?

O que é ser mulher nas artes?

O que é ser mulher na política?

O que é ser mulher na vida acadêmica?

O que é ser mulher no empreendorismo?

Como é ser uma mulher autônoma, independente, emancipada.

Por coincidência  ou sincronicidade do universo encontrei na minha estande o livro: “A nova Mulher e a moral sexual” da autora Alexandra Kollontai , ela fala um pouco da trajetória e transformação da mulher, que vivia no ambiente privado, cercada pelos cuidados, presa no ambiente de dominação do pai, do marido, da família e fez sua transição do espaço privado para o espaço público  através da sua força de trabalho.

Decidir ler alguns trechos do livro. Começo a leitura:

“Há cinquenta anos, as nações não contavam nas fileiras, da população trabalhadora com mais do que algumas de dezenas, ou mesmo algumas centenas de milhares mulheres. Atualmente, o crescimento da população feminina é superior ao crescimento da população masculina, mas sim de milhões de braços femininos. Milhões de mulheres pertencem às fileiras proletárias; milhões de milhares têm uma profissão, consagram as suas vidas à ciência ou à arte.”

Outro trecho:

“A mulher ameaçada de perder toda a assistência, perante o medo de sofrer privações e forma, vê-se obrigada a apreender a se manter sozinha, sem o apoio do pai ou marido. A mulher defronta-se com o problema de adaptar-se, rapidamente às novas condições da sua existência, e tem que corrigir imediatamente as verdades morais que herdou das suas avós. Dá-se conta, com  assombro, de toda a inutilidade do equipamento moral com que a educaram para percorrer a vida.  As virtudes femininas – passividade, submissão, doçura – que lhe foram incutidas durante séculos, torna-se agora completamente supérfluas, inúteis e prejudiciais. A dura realidade exige outras qualidades nas mulheres trabalhadoras. Precisa agora de firmeza, decisão e energia, isto é, aquelas virtudes que eram consideradas como propriedade exclusiva do homem.”

A autora fala exatamente da transição da mulher, como viver isso? Como viver esta adaptação as novas cobranças?

Esse novo tipo de mulher, que tem de responder suas questões que tem um papel social, não estava escravizada, que não estava presa ao matrimonio ou ao Pai. Não tem a submissão, precisa desenvolver sua autonomia. A psicologia da mulher tem que se alterar, sofre uma reeducação da estrutura. A reeducação da psicologia da mulher é presente. A reestrutura do lugar de mulher na sociedade.

E aí a autora volta a falar de reeducação psicológica voltando a leitura do livro:

“São esses conflitos que imundam a alma da mulher, os que pouco a pouco chamam a atenção dos escritores e acabam por converter-se em manancial de inspiração artística. A mulher transforma-se gradualmente. E de objeto da trajetória masculina converte-se em sujeito de sua própria trajetória.”

Eu acho bem interessante, a gente começar o podcast com esta leitura, porque trata desta transição da mulher do lar, do ambiente doméstico, para o novo desafio que foi posto para mulher, de ter sua vida sua autonomia, de ter seu lugar  no mercado de trabalho. Desenvolver suas potencialidades e inúmeras possibilidades.

Mas, também, estes novos desafios, novas conquistas, sair presa no lugar do cuidado e das tarefas domésticas, ter a reeducação psicologia, essa transição não foi pacífica. Este rearranjo dos lugares não foi concluído. E este tema será o tema de novo episódio, novas conversas, novas investigações.

E ai, a gente pensa nisto tudo,  a gente olha para nós mulheres, a gente pensa no movimento feminista, o movimento  feminista é uma ferramenta, que ajuda, que colabora, que constrói, que descontrói e que vai fomentar a mulher esse novo papel social, individual, moral, política, econômica da nova mulher.

E assim a história vai se construindo gradativamente, a história das mulheres, a história do feminismo, com rupturas e continuidades.

Vamos seguindo na construção de uma nova mulher, feliz, emancipada, realizada, autônoma independente. Este foi o primeiro episódio do Podcast feminista do seu tempo. Beijo Grande!

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